Paul McCartney – Driving Rain (2001)

Não que isso seja uma surpresa – é que depois de todos esses anos, isso às vezes passa despercebido ou não é considerado – , mas Paul McCartney é uma puta baixista. Um ouvinte poderia viver nas notas voluptuosas que Paul desfia sem esforço em “Driving Rain”, seu primeiro álbum de rock com material inédito em 4 anos. Seu gênio no instrumento tem sido suficiente para desculpar muitas de suas composições “menores” da fase pós-Beatles (independente do que se pense sobre “Silly Love Songs”, a linha de baixo por si só praticamente justifica a existência dessa canção). “Driving Rain” explora ao máximo a virtuosidade de Paul, com arranjos limpos, sem estardalhaços, e que engrandecem a performance honesta de uma pequena banda de rock & roll, composta de três desconhecidos e uma lenda viva.

McCartney é uma lenda com propensão à jovialidade, e muitos de seus discos solos considerados “menores” transitam em puro deleite. “Driving Rain” não é um desses, embora contenha algumas faixas que soam “jogadas” mais do que cuidadosamente colocadas: “Tiny Bubble” flutua, mas não chega ao seu destino; “Spinning on an Axis” fica à deriva, preguiçosa; e “Heather” sugere mais um exercício de aquecimento para a banda do que uma música de verdade. Para nossa sorte, McCartney abraçou o espírito que fez de “Run Devil Run”, seu álbum de covers de rock & roll de 1999, um triunfo. Naquela época, McCartney estava em luto profundo por sua esposa, Linda, e ele voltou-se par a música de sua juventude de modo quase desesperado. A melhor de suas novas músicas revisita esse terreno emocional, que dá a “Lonely Road” uma pegada que se transforma num grunhido frenético no final da faixa. “There Must Have Been Magic” observa o passado num devaneio pungente, enquanto que “From a Lover to a Friend” olha adiante com espanto temperado pela ansiedade. Em cada uma dessas faixas, além da ligeira “Driving Rain”, do sabor country de “Your Way” e do delírio de 10 minutos de “Rinse the Raindrops”, o baixo de McCartney assume a direção. As melodias do baixo fazem um contraponto com seus vocais ainda maleáveis, e o groove sem fim de McCartney… well, [his groove] isn’t silly at all.

Tracklist:
01) Lonely Road
02) From A Lover To a Friend
03) She’s Given Up Talking
04) Driving Rain
05) I Do
06) Tiny Bubble
07) It Must Have Been Magic
08) Your Way
09) Spinning On An Axis
10) About You
11) Heather
12) Back In The Sunshine Again
13) Loving Flame
14) Riding Into Jaipur
15) Rinse The Raindrops
16) Freedom

Driving Rain é o primeiro álbum de estúdio com material inédito de Paul desde 1997, quando lançou “Flaming Pie”. Duas das músicas, “Spinning on an Axis” e “Back in the Sunshine Again”, foram escrits por Paul e seu filho James. Essas são as primeiras composições de McCartney & McCartney a aparecer num álbum.

No CD, tocam: Paul McCartney (vocais, baixo, guitarras, piano)
Rusty Anderson (guitarras, backing vocals)
Abe Laboriel Jr. (bateria, percussão, backing vocals)
Gabe Dixon (teclados, backing vocals)

Também partciparam das gravações: James McCartney (percussão – “Spinning on an Axis”, guitarra – “Back in the Sunshine Again”)
Ralph Morrison (violino – “Heather”)
David Campbell, Matt Funes, Joel Derouin, Larry Corbett (quarteto de cordas – “Loving Flame”)

Todas as faixas foram compostas por Paul McCartney, com exceção das duas que compôs com seu filho James. A produção é de David Kahne e Paul McCartney.

Resenha publicada originalmente no site da revista Rolling Stone

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