Paul McCartney – Ecce Cor Meum (2008)

Paul McCartney nunca aprendeu a ler ou escrever música valendo-se de partituras. Muito menos amealhou anos de estudo de música clássica a sério. Mesmo assim é detentor de um respeitável catalogo de êxitos no setor. Ecce Cor Meum é um trabalho clássico de ‘canto coral’ concebido em homenagem a Linda McCartney, mas vai mais além, pois também inclui reminiscências da infância do ex-beatle que tem no seu vasto e respeitável currículo de astro do rock e do pop, três trabalhos orquestrais. Sem ter a devida compreensão das regras e métodos da música clássica, registre-se. Ecce Cor Meum, expressão do latim que, vertida para o inglês significa “Behold my Heart” (algo como ‘Observe Meu Coração’), ganhou até premiação de melhor álbum do gênero no final de 2006. O CD foi publicado em setembro daquele ano. Dois meses mais tarde, em novembro, aconteceu a estréia de gala no Royal Albert Hall, objeto do presente lançamento em DVD.

A segunda e última ‘performance’ pública desta peça ocorreria no começo de dezembro de 2006 no vetusto Carnegie Hall, em Nova York. O evento foi integralmente transmitido ao vivo por uma emissora de rádio FM, com direito a entrevista exclusiva com Paul. Alguns trechos da exibição americana são brevemente mostrados no DVD. Infelizmente, porém, esta produção lançada nos EUA e Europa no dia 05 de fevereiro (não há previsão de lançamento nacional) deixa a desejar.

A edição inclui o documentário, “Creating Ecce Cor Meum”, onde Paul McCartney explica detalhadamente a produção, revelando que começou a criar a peça no início dos anos 90, mas chegou a abandonar o trabalho pelo agravamento da doença de Linda. Nos quatro movimentos, a homenagem à falecida esposa ganha tons de saudade, lamento, luto e perda. Há outras entrevistas no documentário com músicos, cantores, o maestro que conduziu a orquestra e o coral, além de belas cenas de ensaios e gravações nos estúdios Abbey Road. Tudo sem legendas de jeito nenhum. Nem mesmo em inglês. A produção do DVD Ecce Cor Meum em geral é pobre, apesar do público a que se destina, e comete a meu ver um tremendo sacrilégio com o projeto original.

Quem esteve presente revelou que num intervalo da peça de quatro atos, a orquestra e o coral deram tratamento quase operístico para canções da ‘carreira-solo’ de Paul McCartney criadas em homenagem a Linda, como “Warm and Beautiful”, “Some Days” e outras. De forma incompreensível essa sequência do espetáculo não aparece no DVD. A única forma de ouvi-la é através da edição pirata de áudio do show do Carnegie Hall. Avalio que a inclusão desse trecho por certo facilitaria aos menos iniciados a compreensão de um trabalho denso, por vezes pesado da mais radical das incursões ao clássico praticadas pelo ex-beatle até a data.

Por Cláudio Teran

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