Entrevista: May Pang fala sobre seu relacionamento com John Lennon

John Lennon foi assassinado por uma arma de fogo disparada por um infeliz débil mental, em 8 de dezembro de 1980, na entrada de seu prédio em Nova York. Desde sua trágica morte, muitos boatos e especulações têm surgido sobre sua vida e sua música. Não é segredo que a viúva de John, Yoko Ono, tem agüentado tanto elogios quanto críticas por sua parte na trajetória dos Beatles. Entretanto, outro aspecto muito importante da história de Lennon costuma passar batido. Eu falo da “outra” mulher… May Pang.

Pang teve um relacionamento de dois anos com o amado Beatle. O casal permaneceu íntimo até a morte dele. Entretanto, Yoko, ao lado de vários historiadores do rock, tem deliberadamente tentado alterar a história, e eliminar qualquer registro do envolvimento de May com John.

Ironicamente, foi a própria Yoko quem escolheu Pang como a “companhia ideal” para o marido. Pang era uma mulher atraente que havia trabalhado como secretária pessoal dos dois. Mas para Yoko o tiro saiu pela culatra quando Pang e John se apaixonaram e foram embora juntos.

Infelizmente para Pang, o relacionamento acabou quando, em 1975, John voltou para sua mulher. Ela acabou se casando e depois divorciando do produtor Tony Visconti, com quem teve dois filhos. Atualmente, ela está desenvolvendo uma retrospectiva radiofônica, cujo nome provisório é “May Remembers”, está reunindo suas fotos e memórias de John Lennon para uma exposição, e acaba de lançar sua linha de jóias chamada May Pang Feng Shui Jewelry Collection.

Por onde começamos?
Boa pergunta! Muita gente quer saber como John Lennon era como pessoa, e muitas mulheres querem saber como ele era na cama!

Podemos partir por aí ou pegar um pouco mais leve. O que você prefere?
(Risadas) Lembre-se, ele foi o primeiro cara com quem morei.

Ok, vamos pegar leve.
O que as pessoas não conseguem entender é que eu tive um relacionamento com John que atravessou mais de dez anos.

Mas o próprio John Lennon chamou o relacionamento de vocês de “Final de semana perdido”. Deve ter sido um inferno de final de semana.
Isso veio daquele filme, “The Lost Weekend”. Ele era um grande fã de cinema. Pediram que ele desse uma declaração sobre seu retorno ao Dakota, e esta foi a frase-conceito que ele soltou. Ele não poderia mesmo dizer que foi o melhor período da sua vida! (Risadas)

Você fala do tempo em que ele passou com você?
Sim. Ele me contou antes que estava chamando nossos dois anos juntos de “Final de semana perdido”, assim eu poderia me preparar para ler isso na imprensa. Então quem não tivesse ouvido isso de mim antes diria: “por que ela anda espalhando isso já que durou apenas um final de semana?”. Obviamente, esta é uma ideia errada. As pessoas não entenderam porque eu escreveria um livro baseado apenas em um final de semana. Mas elas não sabiam a verdadeira história.

E qual é a verdadeira história?
Eu morei com John Lennon por quase dois anos, e, sobretudo, tivemos uma relação de dez anos juntos. Por alguma razão, as pessoas ficam abismadas com isso.

John estava casado com Yoko Ono durante os anos em que você diz ter estado com ele.

Não é nenhuma “conversa” e sim um fato. Até Yoko já falou sobre isso. Na época em que estávamos juntos, ele estava separado dela.

Um dia Yoko te puxou pelo braço e disse “John e eu estamos passando por problemas conjugais. Por isso eu quero que ele fique com você um tempo”. Verdade ou lenda?
Bem, você simplificou a coisa. Era 9h30 da manhã. Eu estava preparando tudo para mais um dia de trabalho, antes que todos chegassem ao escritório. Yoko veio a mim e disse: “você sabe que John e eu já não estamos mais tão juntos. E você também sabe que assim ele vai começar a ver outras pessoas. Eu sei que você não tem namorado”. Eu então olhei pra ela e disse: “o quê? Eu não estou interessada!”. Mas Yoko falou: “Sei que você não está atrás dele, mas acho que você precisa de um namorado e que deveria sair com ele”.

Assim parece divertido.

Não! Não! Eu não o queria. Mas Yoko disse: “eu acho que você deveria sair com John e você VAI”. E aí ela saiu da sala. Fiquei lá sentada pensando: “o que aconteceu?”. John depois me disse que Yoko foi até o banheiro onde ele estava se barbeando e disse: “resolvi tudo pra você, já pode sair com May Pang”. John me disse que quase abriu um corte na garganta! Ele falou para Yoko: “como sabe que eu gosto dela?”. E ela: “bem, eu sei”. E foi assim.

Então onde as coisas deram errado?
Yoko achava que tudo ia durar apenas umas duas semanas, e que as coisas voltariam logo ao normal. Ela pensou que eu seria só uma foda rápida e  que não passaria disso. Obviamente, eu fui escolhida a dedo por ser quieta, uma pessoa dócil! Mas o que Yoko não contava era que John e eu nos apaixonaríamos.

Foi um jogo de risco para Yoko.
Também acho! Mas ela sabia que eu não tinha interesse, assim ela sentiu que estava segura. Mas levou um tempo para eu me apaixonar por John.

Eu suponho que a maior estrela do rock mundial era uma pessoa difícil de se conviver. Como era o relacionamento de vocês dois?
Ele não era nada difícil. As pessoas escreveram muitas coisas sobre ele que não são verdade.

Eu li que John Lennon precisava ser controlado; que ele precisava de uma espécie de babá.
John foi criado por sua tia Mimi, que era uma mulher extremamente controladora. Ele lutou contra isso o máximo possível. Ele precisava que mostrassem a ele como fazer as coisas simples da vida, porque era um prisioneiro de sua própria fama de Beatle… tudo estava sempre pronto pra ele. Tivemos um relacionamento de respeito mútuo com muitos interesses em comum. Música… rock and roll era nosso grande território em comum. Foi o que moldou a vida dele, assim como a minha.

John era um bêbado chato?
Esse assunto outra vez. Todo mundo acha que ele estava sempre bebendo. Mas não era assim. As coisas doidas que você leu sobre as bebedeiras de John aconteceram apenas duas ou três vezes. Foi tudo. Mas a imprensa continua arrastando isso porque esta é a maneira que as pessoas queriam vê-lo na época. Olhe para os dois anos em que estivemos juntos. Ele se dedicou mais às suas músicas do que em qualquer outro período de sua carreira solo. Se ele estivesse bêbado e chapado o tempo todo, como ele trabalharia nas músicas? Por falar nisso, as drogas não eram algo que ele usava diariamente. Os amigos apareciam e dividiam o que tinham com ele, mas não era uma coisa que ele fazia questão de ter.

Foi dito que durante as gravações de Wall and Bridges John estava bêbado todo o tempo.
Algumas pessoas gostam de pensar nele como um bêbado miserável. Mas ele não era – e especialmente quando estava gravando um álbum. Confie em mim, se John bebesse como as pessoas falam, ele não conseguiria trabalhar. Ele trabalhava duro quando estava fazendo sua música. Era muito sério sobre seu tempo no estúdio. Sem drogas, sem bebida. Quando John marcava o estúdio para as 7 da manhã, ele queria dizer 7 da manhã e não 7h15. Depois que tudo terminasse, ele poderia acender um baseado para relaxar e ouvir as gravações do dia.

John não se achava um bom cantor. Ele chegou a conversar com você sobre isso?
É verdade. Eu estava sempre dizendo que ele era um grande cantor. Ele me perguntava o tempo todo se suas composições estavam ok ou se sua voz estava ok. Costumava ser muito inseguro. Lembre-se, ele era um ser humano. Ainda era alguém que tinha muitas inseguranças. Eu estava sempre lá para levantar sua moral. Mas ele era um gênio. Podia escrever palavras simples como “eu te amo” e transformá-las em algo muito especial.

Você o viu compor canções?
Sim. Sempre me perguntam isso. As pessoas querem saber se eu estava perto quando John escrevia suas músicas. Eu o vi escrever canções muitas vezes. As letras simplesmente saiam. Ele tinha aquele talento natural.

Descreva um dia típico na vida de John Lennon.
Nós gostávamos de visitar amigos nos Hamptons e coisas assim. Curtíamos nadar, sair de barco, caminhar e ir ao cinema. Seu filho Julian estava muito com a gente durante aqueles anos. Costumávamos planejar as coisas de acordo com o que acontecia ao nosso redor no momento. O dia começava para John por volta das 11 da manhã – com uma xícara de café e seu exemplar do New York Times.

Então se John era feliz e tão criativo com você, por que ele não deixou Yoko e casou contigo?
Isso é muito difícil de se explicar.

Eu li uma declaração sua onde você acusava Yoko de hipnotizá-lo para te deixar.

Ele teve problemas para cantar por causa do cigarro. Não conseguia segurar a afinação e faltava fôlego. Eu odiava que ele fumasse e queria que parasse. Hoje as pessoas acham que Yoko não estava por perto quando John estava comigo, mas eu posso afirmar que o telefone tocava até 20 vezes por dia. Nunca houve um momento onde ela não tentou trazer John de volta. No início ele se sentiu culpado. Culpado por estar tão feliz e ela talvez não. Então, poucos meses depois de ficarmos juntos, Yoko o quis de volta e ele não voltou.

Você se refere ao boato que diz que Yoko o hipnotizou para abandonar você?
As pessoas não vão acreditar nisso. Mas quando John contou a Yoko que queria parar de fumar, ela ligou algumas semanas depois e disse que tinha uma ótima maneira para ele largar o cigarro. Mas ela não contaria por telefone. Disse que ele deveria procurá-la e que seria ótimo. Ela era uma fumante compulsiva e disse que conseguiu parar, e que ele também poderia. Senti-me muito desconfortável sobre isso. Nós até brigamos. John disse: “você quer que eu pare de fumar, não quer? Deixe-me tentar o método de Yoko e estarei em casa em tempo para sairmos para jantar. Vamos para onde você quiser”. Ele queria estar comigo para planejar uma visita a Paul e Linda em New Orleans. Ele queria compor com Paul novamente. Teria sido legal, não? Então ele foi e eu não soube de mais nada dele. Tentei ligar para o apartamento, mas não me deixaram falar com ele. Yoko só dizia que ele estava dormindo. Disse que ele passou por uma sessão de hipnose, vomitou bastante e estava esgotado. Finalmente, quando eu o vi, ele disse que “tinha permissão para retornar ao Dakota”. Eu disse: “permissão? E como isso afeta você e eu?” E ele: “Yoko disse que seria bom para meu processo de imigração e que eu poderia continuar vendo você”. Pelos cinco anos seguintes Yoko tentou me apagar da vida de John. Mas ela não conseguiu. Ele continuou me telefonando.

Assim parece que John gostou da situação. Você concordou em dividi-lo com Yoko?
Não. Como se pode dividir alguém que se ama? E se você realmente parar para pensar… foi Yoko quem quis comer seu pedaço do bolo também. Na verdade, Yoko certa vez sugeriu que alugássemos um apartamento no Dakota, assim pareceria que John não havia saído de casa… mas nós achamos que quase uma consolação. John e eu nos vimos ou nos falamos até o ano de sua morte. Ainda éramos amigos e ainda nos amávamos. A única razão pelo qual nosso relacionamento terminou é o fato de ele não estar mais aqui.

Se John não tivesse sido assassinado, você acha que ele teria se divorciado de Yoko e casado com você?
Quem sabe o que poderia ter acontecido? É uma situação complicada. Muita gente vai acreditar o que quiser. Só eu sei o que rolou entre John e eu.

Você escreveu um livro chamado Loving John. Na verdade, você atualizou o livro desde a primeira publicação. Ainda há mais para contar?
Claro. Muita coisa foi deixada de fora.

Por que deixar fatos desconhecidos a esta altura?
Não deixei. Foi o editor. Eu contei a história inteira, mas eles apenas publicaram trechos do que escrevi.

Conte uma história sobre John que ninguém mais sabe ou que não tenha escrita.
Existem muitas. Eu acho que a coisa mais interessante que as pessoas deveriam saber é que John e eu estávamos planejando ir a New Orleans para visitar Paul. Ele queria compor com Paul novamente. John me perguntou se eu achava uma boa ideia. Dá pra imaginar?

Sem trocadilhos aí.
(Risadas) O que as pessoas não sabem é que Paul era um assíduo visitante em nossa casa. Quaisquer problemas que Paul e John tiveram sobre negócios acabaram. O lance sobre eles, e digo isso sobre todos os quatro, é que eram irmãos de verdade. Eles podem dizer o que quiserem um sobre o outro, mas qualquer outra pessoa é proibida de falar mal sobre eles. Eles eram assim.

Diga-me a primeira coisa que vem na sua cabeça: John Lennon.
O homem mais influente na minha vida.

Paul McCartney.
Uma das metades da maior parceria do nosso tempo.

Ringo Starr.
Meu primeiro Beatle preferido.

George Harrison.
Um homem amável e sereno que eu tive o prazer de conhecer.

Yoko foi acusada de ser a culpada pela separação dos Beatles. Foi mesmo culpa dela ou deles mesmos?
Com toda justiça, acho que eles teriam se separado de qualquer jeito. Eles já estavam no limite. Eu só acho que Yoko acelerou o processo. Acho que o fim chegou mais rápido do que o previsto.

Foi culpa de Yoko?
Eu acho que ela teve sua culpa. Quanto? Eu não sei dizer.

Qual sua opinião sobre ela?
(Longa pausa) Acho que é melhor guardar isso pra mim.

Você não acha mesmo que eu vou te deixar fugir com essa resposta, acha?
Eu só posso dizer que não tenho contato algum com ela. No momento existem muitas outras coisas acontecendo. Assim, eu preciso me concentrar nisso. São coisas que vão me afetar direta ou indiretamente muito em breve. Há um futuro musical da Broadway chamado Lennon – The Musical. Yoko está liberando 25 músicas para o show, mas qualquer menção ao meu nome caiu fora, pelo que sei. Eu já esperava por isso? Sim. Eu fui apagada. O que eu adoraria que os leitores soubessem é que o tempo que passei com John foi o mais produtivo e criativo de sua carreira solo. Sou feliz por ter sido uma influência positiva para ele.

Então como Yoko pode sair apagando você dos livros de história, como você diz?
Porque ela era a esposa. Esta não é a primeira vez que isto acontece com alguém… mas comigo sei que a verdade vai prevalecer, e até já começou.

Mas história é história.
Eu sei disso. É por isso que estou aqui. Pra falar sobre a minha história. Isso é algo que ninguém pode deixar de lado. Não importa o que dizem ou de que lado você está. Embora Yoko esteja tentando mudar a história… ela tem subsídios para fazer isso. Veja, você imagina quantas pessoas acham que é a voz de Yoko cantando em “Number 9 Dream”, quando na verdade é a minha?

Ela diz ser a voz em “Number 9 Dream”?
Vamos dizer assim, ela não diz. Isso na verdade é muito engraçado. Ela lançou um DVD com todos os clips de Lennon. Considere o fato de que não existem realmente vídeos feitos para as músicas. Estas músicas foram feitas antes da MTV. Ela incluiu a música “Number 9 Dream” no DVD e preparou um clip. Bem, durante a parte onde eu chamo o nome de John, ela se colocou no vídeo dublando a palavra “John”. Então se você não sabe que faço parte do processo, você pensa que é a voz de Yoko na canção… claro. Tudo porque você nunca ouviu outra voz de mulher nas músicas dele além da dela.

Então Yoko quer manter você fora de tudo… literalmente.
Isso aí. Conhece aquela famosa imagem de John usando a camisa de New York City? Aquela onde ele está realmente bonito?

Eu acho que muita gente conhece aquela foto.
Foi tirada na nossa cobertura quando estávamos morando juntos. Uma foto conta milhões de histórias. De fato, pretendo fazer uma exposição de fotografias de John e eu em casa. Será uma homenagem ao tempo em que vivemos juntos.

Estou certa de que Yoko vai tremer. Já que estamos falando de Yoko, qual sua opinião sobre a música dela?
Ela não faz o meu gênero. São apenas gritos e coisas assim. Em seu álbum Fly, ela tentou ser Elvis em algumas faixas. Mas seu jeito de cantar e compor não faz o meu gênero. Eu gosto é de rock and roll.

Você acha que John teria gostado da música de hoje?
Eu acho que ele escutaria. Mas ele ainda estaria fazendo seu próprio trabalho. Pegaria alguns elementos das músicas de hoje e criaria seu próprio estilo.

É verdade que você era gamada por Ringo antes de conhecer John?

(Risadas) John uma vez me perguntou quem era meu Beatle preferido, e eu disse “Ringo!”. Ele me pegou de surpresa! Eu provavelmente deveria ter dito: “não, você sempre foi o meu favorito, John!”. Lembro de uma vez em que John chamou Ringo e cochichou no ouvido dele: “você era o queridinho dela”. Mas John sempre foi o melhor compositor do grupo.

John não escreveu uma música pra você?
Sim, ela se chama “Surprise, Surprise (Sweet Bird of Paradox)”. O disco inteiro (“Walls and Bridges”) foi o nosso álbum. Foi a primeira vez que ele teve um álbum no topo da parada com um compacto também número 1 em toda a sua vida. Então pra mim foi muito especial. Além de cantar nele, também fui a coordenadora de produção. Ele até me deu um disco de ouro.

Qual foi sua primeira reação quando soube da morte de John?
Senti-me como se estivesse afundando. Não existem palavras para descrever. Foi como se uma bola de aço tivesse caído direto para o fundo do meu estômago. Eu estava jantando lá na Costa Oeste. Fui correndo pra casa e o telefone não parava de tocar. Era a secretária de Ringo tentando descobrir para qual hospital John tinha sido levado. Peguei o telefone e disse: “ele se foi”. Tudo o que ele disse foi: “o que há de errado com este seu maldito país?”. Hoje, John me alcança em espírito.

Você foi até aquele físico John Edward para tentar manter contato com John?
Por sugestão de alguns amigos, fui visitar John Edward. Isso antes de ele ganhar seu programa na TV. Meu marido na época, Tony, e eu fomos vê-lo por outras razões. Não foi para contatar John! Eu nem estava pensando nisso. Mas John veio até nós. Na verdade, ele foi o terceiro espírito que veio durante aquela sessão.

Você realmente acredita nisso?
Acredito que John Edward tem um dom.

Eu acho que muitas pessoas que estão lendo esta entrevista lhe diriam que John Edward sabia muito bem quem você era e sabia de sua relação com John Lennon.
Ele não sabia quem eu era. Eu estava com meu marido e ele não sabia nada sobre mim. Nós estávamos em uma sala cheia de gente. Ele sabia tanta coisa sobre meus parentes que já haviam morrido que eu fiquei espantada. As coisas que ele mencionou não chegaram nem a serem escritas em lugar algum! Meu marido e eu nos olhamos sem acreditar. Eu sinceramente acredito em anjos e espíritos. Existe algo lá fora. É tudo o que eu sei. É como quando John e eu vimos um OVNI. Como se explica isso?

Sem drogas?
Não! Ele viu primeiro. John imaginou que se eu não visse também, ninguém mais iria acreditar nele, nem mesmo eu.

Como era o relacionamento entre John e seu filho Julian?
Eles tiveram problemas em se aproximarem, já que passaram três anos distantes. Quando John e eu estávamos juntos, eu tentei criar uma ponte entre os dois. Na verdade, no período de um ano, Julian nos visitou três vezes. Eu costumava dizer a John, mesmo quando não morávamos mais juntos, que ele deveria continuar a falar com Julian. Eu achava isso uma coisa muito importante. Era seu primeiro filho e eles não tiveram muito contato nos primeiros anos.

Julian alegou que Yoko o excluiu da herança da família.

Se for verdade, e tenho certeza de que Julian não diria isso se não fosse, é uma coisa muito triste. John era tão pai de Julian quanto era de Sean. Eles merecem receber partes iguais de sua herança. Por falar nisso, Cynthia e eu ainda somos amigas. Ela também está com um livro para sair.

Se você pudesse estar a sós com Yoko, o que diria a ela?

Boa pergunta. Eu nunca pensei nisso. Nos esbarramos há alguns anos atrás. Estávamos a talvez três metros de distância. Quando ela me viu, se virou e foi por uma outra direção. Se eu tivesse a chance de falar com ela, eu diria que sinto muito por John não estar mais aqui. Ele morreu de um jeito terrível. Tentei entrar em contato com ela após tudo que aconteceu. Foi algo horrível pelo qual tivemos de passar. Mas ela não retornou minhas chamadas. Existiram três mulheres na vida de John após ele sair de casa, Yoko, Cynthia e eu. Eu provavelmente diria a ela que nós três vivemos momentos e histórias diferentes com John, e negar qualquer parte da vida de John é muito injusto com ele.

Conte-me outro mito sobre John Lennon.

Lá vai um dos grandes: Yoko e John reataram o romance no show de Elton John no Madison Square Garden, e ele não sabia que ela estava lá. Não é verdade! Nós não só sabíamos que ela viria, como também conseguimos os ingressos para ela e seu acompanhante!

Você não acha que pode parecer chata?
Yoko era casada com John, eu era apenas a namorada, então sim, posso parecer chata às vezes. Entendo perfeitamente. Mas imagine minha frustração por ser apagada da história deliberadamente. Eu realmente não sei como Yoko consegue dormir sabendo o que fez. Mas eu sim posso dormir em paz.

Você acha que um dia alguém fará um filme sobre a vida de John?
Alguns já foram feitos, e estou certa que farão mais. E, claro, esta peça que está na Broadway. Também todos estes livros “autorizados”. Todos eles omitem dois anos da vida de John. Não seria tão ruim se John não tivesse produzido nada, mas trata-se do período mais prolífico e produtivo de sua carreira-solo. Fãs jovens escrevem para mim e dizem: “Nunca ouvi falar de você! Quem é você? De onde você veio?” É um absurdo!

Sem querer mudar de assunto, mas o que você acha sobre Michael Jackson ser o dono dos direitos das músicas dos Beatles?
Eu gostaria que Paul fosse o dono. É triste que os autores originais não possuam suas próprias músicas. Os Beatles foram as cobaias do Rock and Roll. Digo isso porque eles viveram sob contratos obsoletos. Ninguém esperava o sucesso que eles tiveram. Fora Elvis, ninguém é mais popular no mundo. Eles não tiveram um contrato justo até o primeiro ser renegociado em meados de 1968, 69. A partir daí, outras bandas conseguiram coisas melhores porque elas aprenderam com os erros dos Beatles. Eles eram ricos em posses, mas pobres em dinheiro. Era assim que John e eu vivíamos. John tinha de pegar dinheiro emprestado quando estávamos juntos! As coisas eram assim.

Você lembra das últimas palavras que John disse a você?
(Longa pausa) Lembro que foi em meu apartamento, em um feriado de 1980. Falamos sobre as pessoas, e a última coisa que ele disse foi: “estou tentando bolar um jeito de você vir pra cá e me ver. Sinto muito a sua falta. Eu simplesmente preciso ver você”. Ele me ligou direto de Cape Town, na África do Sul.

Então quer dizer que ele ainda pensava em você, até perto de morrer?
Sim.

Algum arrependimento?
Eu só me arrependo das vezes em que John me procurou e eu não estava lá. Várias pessoas, que estavam em um restaurante que frequento, me contaram que John estava jantando com Yoko, Elliot Mintz e Tony King, que trabalhava na Apple Records. De repente John começou a gritar: “Tirem Yoko daqui. Eu quero estar com a May. Não quero mais ver Yoko novamente. Eu só quero estar com a May!”.

Não quis ter um filho com John?

Ele me perguntou uma vez sobre isso. Quando descobriu que Yoko estava grávida, ele disse: “você não queria que fosse seu?”. E eu: “eu nunca faria isso se você não estivesse pronto”. Ele me abraçou e disse, “Eu sei disso”.

O que você diria a John se pudesse falar com ele uma última vez?
Eu diria o quanto eu o amei e quanto a sua falta dói em mim. Nós nunca tivemos a chance de nos despedirmos, mas nossa história estava longe de acabar.

Por Chauncé Hayden

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