Dorothy Rhone, a namorada de Paul McCartney na adolescência

Dorothy Rhone foi namorada de Paul McCartney ainda na época dos Quarrymen, até a primeira viagem dos rapazes a Hamburgo. Pra Paul compôs a música “P.S. I Love You”. Saiba tudo sobre essa BeatleGirl, que chegou a esperar um bebê do Beatle Paul.

Dot nasceu em 1945 no distrito de Childwall, Liverpool. Ela era uma garota timida e muito introvertida. Morava junto com seus pais Jessie and Tom Rhone e 3 irmaos mais velhos, Billy, Anne e Barbara Rhone. Tom Rhone chegava em casa bêbado quase todos os dias, e chegou muitas vezes a bater em Jessie, Dot e seus irmãos. Foram tempos difíceis, que resultaram na timidez de Dot.

Em uma entrevista concedida por Dot em 1997, ela relata o quanto era tímida: “Eu me tornei uma pessoa extremamente tímida e sem confiança nenhuma. Eu raramente falava com as pessoas, principalmente com os garotos”. Dot estava estudando no Liverpool Institute High School for Girls, e na época de 1950 as garotas eram proibidas de falar sobre os rapazes. De fato, elas saiam da escola meia hora antes dos garotos, para evitar qualquer contato com eles. “Eu era tão atrasada em relação aos rapazes, pra você ter uma idéia, a primeira vez que eu dancei com um garoto foi depois dos 15 anos. Minhas amigas eram bem mais avançadas do que eu”.

Dot era uma garota adorável e bastante bonita, mas ela se achava sem graça e feia. “Eu nunca me achei bonita. Minha irmã costumava me dizer que o meu nariz era largo demais para o meu rosto. Uma vez eu tentei ir dormir com um pregador de roupas no nariz, querendo deixá-lo mais fino, mas não aguentei, a dor era muita”. Ela era tão insegura e nervosa que na primeira vez que ela marcou um encontro com um garoto, passou mal do estômago e ficou fisicamente doente.

Foi no verão de 1959, que Dot conheceria nada mais nada menos que um grupo chamado “The Quarrymen”. Dot estava no cabash com um grupo de amigas, dancando os sucessos da época, quando dois dos integrantes da banda não tiravam os olhos dela. “Eles eram maravilhosos, faziam brincadeiras no meio das músicas, tinham um super alto astral. Era impossível não se apaixonar por eles.

Eu me apaixonei pelo John. Ele tinha um rosto bem másculo, enquanto o Paul era bonito de uma forma mais suave, com traços mais suaves. O John era o cara, ele dominava, ele era muito legal, me chamava de “Bubbles”. Já o Paul era o cara doce. E o John não era tão agressivo como dizem”. Dot descobriu que o John já tinha namorada (Cynthia Powell), então ela resolveu dar atenção ao Paul, o qual foi bem devagar pra chamá-la pra sair com ele.

“Eu me lembro que estava dançando em um clube, quando de repente eu comecei a me sentir mal, então resolvir sair do clube pra tomar um pouco de ar fresco. O Paul me seguiu, me abraçou e disse que eu iria ficar bem, daí ele me perguntou se eu gostaria de sair com ele. Eu fiquei vermelha, mas acabei aceitando numa boa. Acho que nosso primeiro encontro foi em Penny Lane, pois era um ponto bem próximo de nossas casas”. Dot ficou super nervosa nesse primeiro encontro com o Paul, mas ele a deixou bem relaxada, contando histórias das suas horrorosas visitas ao dentista.

E ao levá-la ate o ponto de ônibus, Paul deixou bem claro que tinha adorado o encontro e que gostaria de vê-la novamente no Cabash Clube. Dot se apaixonou completamente por Paul a partir de então. “Eu costumava me encontrar com minhas amigas e elas achavam super legal eu estar saindo com alguem tão ‘cool’ como o Paul. Ele tinha o cabelo cumprido, mais cumprido do que os outros caras de Liverpool, e eu me sentia meio que rebelde por estar saindo com ele. Nós costumávamos a ir ver os outros grupos de Rock’n’Roll e eu me sentia diferente por estar nesse meio. As outras garotas costumavam a se sentar num canto e os garotos em outro, mas eu era diferente, eu me sentava na roda do Paul, junto do George, John e a Cynthia”.

Não demorou muito para o Paul se tornar possesivo em relação a Dorothy. “Ele era tão possesivo e controlador! Queria ter controle sobre tudo, sobre minha aparência, o meu cabelo, o modo como eu me vestia, ele queria que eu estivesse sempre impecável. É ate vergonhoso eu dizer isso agora, mas naquela época eu era o cachorrinho dele, fazia tudo o que ele me mandava. Jamais faria isso nos dias de hoje. Ele chegou até a me dar uma lista de coisas que eu não deveria fazer. Uma delas era sair com minhas amigas. E quando nós saíamos juntos, eu era proibida de fumar, embora ele fumasse. Acho que essa não era a imagem que ele queria que a sua namorada tivesse. Ele queria que eu me vestisse de preto e tingisse o meu cabelo de loiro. Até chegou a pagar para eu ir no cabeleireiro. Mas o meu cabelo ficou horrível, e quando ele me viu, ele disse: ‘Tá vendo só o que te fizeram? Você não deveria ter deixado eles te estragarem o cabelo! A culpa foi toda sua. E quer saber? Me liga depois que seu cabelo tiver crescido. Coisas desse tipo iriam acontecer frequentemente”.

O Paul chegou a adimitir esse seu temperamento em uma de suas biografias: “Naquela época, todos os garotos estavam tentando fazer com que suas namoradas se parececem com a Brigitte Bardot. John e eu tínhamos uns papos de querer que nossas namoradas fossem a Brigitte Bardot de Liverpool, eu tinha uma namorada chamada Dot e o John a Cinthya. Nós então as fizemos pintar os cabelos de loiro e a vestir mini-saias. Era terrível, mas era assim que as coisas eram naqueles tempos”.

Mas não era só de possessões que o namoro de Dot e Paul se sustentava. Paul tinha também um lado generoso, e costumava comprar roupas finas para Dot, assim que a banda ganhava uns trocados. Paul estava querendo ir um pouco mais a fundo em sua relação com Dot, mas sendo virgem, Dot tinha que lutar para resistir ao charme do Paul. “Depois de alguns meses de namoro, o Paul me levou pra sua casa em Forthlin Road. Eu menti para meus pais que estava indo dormir na casa de uma amiga. O pai do Paul não estava em casa, então nós tínhamos a casa só para nós dois. Eu estava morta de medo de que alguém chegasse de sopetão, flagrando-nos na hora H. Paul foi doce e carinhoso e eu apenas senti, que aquela era a hora de me entregar”.

Dot não só se apaixonou por Paul, mas como também por toda a familia McCartney. “A família do Paul era tão unida, tão diferente da minha… eles tinham festas de Natal, o Paul tocava guitarra enquanto Jim tocava piano, e as tias do Paul eram maravilhosas comigo também”.

Em fevereiro de 1960, Dot estava com 16 anos de idade, e tinha acabado de engravidar do Paul. “A minha mãe estava chocada! Ela era uma dessas pessoas que se importavam com o que os vizinhos iriam pensar. Queria que eu fosse morar com minha irmã em Machester por um tempo, até a criança nascer, e queria que eu colocasse o bebê para adoção. Já o Jim, pai do Paul, me deu o suporte que eu precisava e disse para minha mãe que o bebê foi feito num ato de amor. O Jim começou a fazer os planos para nos casarmos e tudo mais. Iria ser apenas no cartório, nada muito caro, porque nenhum de nós tinha dinheiro. Estava tudo arranjado, eu iria morar na casa do Paul em Forthlin Road. O pai do Paul estava sendo tão legal comigo! A minha mãe dizia pra ele que seria terrível os vizinhos me verem empurrando um carrinho de bebê, enquanto ele dizia que estaria orgulhoso de mim empurrando um carrinho de bebe”. Mas depois de 3 meses grávida, Dot foi em meio a lágrimas para o hospital, onde teve um aborto natural. Depois de alguns minutos, Paul chegou no hospital com flores para animá-la um pouquinho.

“Ele (Paul) me pareceu um pouco chateado e triste, mas eu sabia que por dentro nós dois estávamos aliviados, e olhando pro passado hoje, eu sei que nossa relação nunca iria ter dado certo”. Depois de alguns meses que Dot teve o aborto, os rapazes decidiram ir pra Hamburgo. Dot, que já era bem amiga da Cynthia, iam visitá-los frequentemente na Alemanha.

Paul comecou a trair Dot em Hamburgo. “Eu ia muito na casa do Paul visitar o pai dele, e um belo dia eu vi uma carta de amor de uma garota alemã, mas estava escrito em inglês. Lá ela dizia o quanto tinha adorado a noite de amor. Eu fiquei devastada e a única pessoa que tinha pra me desabafar era a Cynthia. Nós passávamos horas escrevendo cartas pra eles, e às vezes nos vestíamos com roupas legais, nos maquiávamos pra tirar fotos e mandar pros garotos”.

Mesmo sendo traída por Paul em Hamburgo, Dot recebia cartas de amor do mesmo, quase que diariamente. Mais tarde a musica dos Beatles PS. I Love You, foi escrita para ela. Mas depois da chegada dos rapazes a Liverpool, Dorothy sabia que as coisas estavam mudando. Eles (Beatles) estavam ficando cada dia mais famosos e o assédio crescia cada vez mais. “As garotas chegavam até mim perguntando como o Paul era. Um dia eu fui até a casa do Paul e tinha uma garota lá limpando a cozinha. O pai dele me disse que ela estava esperando pelo Paul há horas, então ele decidiu chamá-la pra dentro de casa e ajudá-lo na limpeza. As meninas costumavam levar coisas da casa do Paul também: isqueiros, cinzeiros, garfos… tudo que você pode imaginar”.

No final de 1961, Paul comecou a visitar Dot cada vez menos, e quando os dois se encontravam, brigavam. “O John falava pro Paul ser mais legal comigo e o Bian não queria mais que eu fosse nos concertos dos Beatles, por causa das fans. Eu obedecia, mas sabia que o Paul estava cada vez mais se distanciando de mim. Um dia ele apareceu em casa de sopetão. Eu tinha bobby nos cabelos, uma calça de pijama, enfim, estava horrorosa. O Paul simplesmente disse que nós estavamos saindo já há algum tempo e que de agora em diante seria casar ou se separar. Ele me olhou nos olhos e disse que não estava pronto pra se casar, então eu comecei a chorar freneticamente. Como ele podia fazer isso comigo depois de 3 anos juntos? Mas no fundo eu sabia que nossa relação não iria longe”.

Quando Cynthia engravidou, Dot se mudou para o mesmo prédio de Cyn, para cuidar dela. Eu sempre via o Paul, e e uma ocasião ele me levou pra dentro do carro e comecou a me beijar e tudo mais. Mas depois que ele viu minha meia calca brilhante, não gostou do modelo e pediu pra eu sair do carro. Como eu disse antes, aparência era tudo pra ele. Ele era superficial. É claro que as pessoas mudam, mas ele me fez sofrer. Eu chorava dia e noite depois da nossa separação. Demorou uns 4 meses pra eu me repor da dor”.

Em 1964 Dot se mudou para o Canadá, e depois de 4 dias de sua chegada ela encontrou seu futuro marido, um alemão alto chamado Werner Becker. Com ele teve 3 crianças. A sua primeira filha se chama Astrid, uma homenagem à sua amiga alemã de Hamburgo. Um ano depois de se mudar para o Canadá, Dot encontrou o Paul, junto com os Beatles, que estavam indo tocar no país. E anos mais tarde Paul mandou um Rolls Royce ir buscá-la junto de sua familia para prestigiar um concerto dos Wings, onde Dot conheceu a então Sra. McCartney, Linda. E o passado dos dois ficou apenas na memória.

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